Trina Storage acelera baterias na América Latina e mira 2,5 GWh de entregas até o 1º semestre de 2026

A corrida por armazenamento de energia em baterias (BESS) acabou de ganhar um novo capítulo na América Latina. A Trina Storage projeta entregar 2,5 GWh em sistemas de armazenamento na região até o primeiro semestre de 2026, impulsionada por dois novos contratos assinados no Chile e na Argentina, que somam 1.203 MWh.
O movimento chama atenção porque sinaliza algo maior do que “mais um anúncio corporativo”: estamos vendo baterias virarem peça central para destravar o valor da energia solar e eólica — principalmente em países que vivem o dilema do excesso de geração em certos horários e falta de energia em outros.
O que a Trina Storage anunciou (e por que isso importa)
Segundo a empresa, a previsão de entregas para 2026 se apoia em novos contratos firmados com T-Power (Chile) e YPF Luz (Argentina).
Além disso, a Trina Storage afirma que já entregou 1,2 GWh de sistemas BESS na América Latina ao longo de 2025, o que reforça que a operação regional deixou de ser “promessa” e passou a ser execução em escala.
O detalhe estratégico aqui é simples: bateria não é só backup. Em projetos de grande porte, ela vira uma “ponte” entre o horário em que a energia é gerada e o horário em que ela vale mais — ajudando a resolver gargalos de rede e aumentando a estabilidade do sistema.
Projeto no Chile: BESS Luz del Norte, no Atacama
No Chile, as baterias da Trina Storage vão equipar o projeto BESS Luz del Norte, em Copiapó, na região do Atacama.
Especificações informadas para o projeto:
- Potência nominal: 141 MW
- Capacidade de armazenamento: 722 MWh
- Estrutura: 144 contêineres de baterias
Por que Atacama é o “laboratório” perfeito para BESS?
O norte do Chile tem altíssima geração solar ao longo do dia. Isso pode causar dois efeitos comuns em sistemas com muita renovável:
- Energia sobrando em certos horários (preço cai, rede congestiona, há perdas/cortes).
- Demanda forte no início da noite, quando o sol some e o sistema precisa responder rápido.
A proposta do armazenamento no Luz del Norte, conforme descrito, é otimizar a operação da usina fotovoltaica: reduzir perdas durante o dia e permitir a venda/uso da energia também à noite.
Projeto na Argentina: BESS Alma Sur, em Buenos Aires
Na Argentina, o contrato foi firmado para o desenvolvimento do BESS Alma Sur, com a Central Dock Sud S.A., controlada e operada pela YPF Luz.
Especificações informadas para o projeto:
- Potência nominal: 90 MW
- Capacidade de armazenamento: 481 MWh
- Estrutura: 96 contêineres de baterias
O “ponto sensível” que o projeto tenta atacar
A Trina Storage descreve que a solução será estratégica para lidar com desafios de suficiência energética sazonal na província de Buenos Aires, reforçando a confiabilidade do sistema elétrico local.
Em termos práticos, sistemas BESS desse porte costumam ser usados para:
- segurar energia para horários críticos;
- reduzir estresse em linhas e subestações nos picos;
- responder rapidamente a variações de demanda e geração.
Por trás do “boom” das baterias: a lógica do mercado (sem enrolação)
O armazenamento cresce porque resolve, ao mesmo tempo, três dores que ficaram mais evidentes com a expansão das renováveis:
1) “Energia barata demais” em horários de excesso
Quando a solar entrega muito durante o dia, o preço pode despencar — e, em alguns casos, ocorre congestionamento de rede.
2) “Energia cara” quando a demanda aperta (principalmente no início da noite)
É o horário em que o consumo sobe e a solar cai. Bateria entra como ferramenta de arbitragem energética (carrega quando sobra, entrega quando vale mais).
3) Estabilidade e confiabilidade
BESS pode atuar ajudando a suavizar oscilações e manter o sistema mais previsível.
Esse contexto regional também aparece em análises sobre a evolução do armazenamento na América Latina, indicando uma trajetória de rápida expansão de capacidade e projetos em desenvolvimento.
O que esse anúncio sinaliza para 2026 (e por que o Brasil deve prestar atenção)
Mesmo com os contratos sendo no Chile e na Argentina, o recado é direto: a América Latina está migrando de “renovável pura” para “renovável + bateria”.
Isso tende a influenciar:
- modelos de contratação (PPAs já considerando blocos de energia firmados com bateria);
- projetos híbridos (solar + BESS como padrão em certas regiões);
- cadeia de suprimentos (engenharia, logística e comissionamento em escala).
E, quando grandes fornecedores anunciam volumes robustos, o mercado costuma interpretar como: pipeline real, execução viável e competição aumentando.
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