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Trina Storage acelera baterias na América Latina e mira 2,5 GWh de entregas até o 1º semestre de 2026

Equipe DWalt
23/01/2026
Trina Storage acelera baterias na América Latina e mira 2,5 GWh de entregas até o 1º semestre de 2026

A corrida por armazenamento de energia em baterias (BESS) acabou de ganhar um novo capítulo na América Latina. A Trina Storage projeta entregar 2,5 GWh em sistemas de armazenamento na região até o primeiro semestre de 2026, impulsionada por dois novos contratos assinados no Chile e na Argentina, que somam 1.203 MWh. 


O movimento chama atenção porque sinaliza algo maior do que “mais um anúncio corporativo”: estamos vendo baterias virarem peça central para destravar o valor da energia solar e eólica — principalmente em países que vivem o dilema do excesso de geração em certos horários e falta de energia em outros.


O que a Trina Storage anunciou (e por que isso importa)

Segundo a empresa, a previsão de entregas para 2026 se apoia em novos contratos firmados com T-Power (Chile) e YPF Luz (Argentina). 


Além disso, a Trina Storage afirma que já entregou 1,2 GWh de sistemas BESS na América Latina ao longo de 2025, o que reforça que a operação regional deixou de ser “promessa” e passou a ser execução em escala. 


O detalhe estratégico aqui é simples: bateria não é só backup. Em projetos de grande porte, ela vira uma “ponte” entre o horário em que a energia é gerada e o horário em que ela vale mais — ajudando a resolver gargalos de rede e aumentando a estabilidade do sistema.



Projeto no Chile: BESS Luz del Norte, no Atacama


No Chile, as baterias da Trina Storage vão equipar o projeto BESS Luz del Norte, em Copiapó, na região do Atacama. 


Especificações informadas para o projeto:


  • Potência nominal: 141 MW
  • Capacidade de armazenamento: 722 MWh
  • Estrutura: 144 contêineres de baterias  


Por que Atacama é o “laboratório” perfeito para BESS?


O norte do Chile tem altíssima geração solar ao longo do dia. Isso pode causar dois efeitos comuns em sistemas com muita renovável:


  1. Energia sobrando em certos horários (preço cai, rede congestiona, há perdas/cortes).
  2. Demanda forte no início da noite, quando o sol some e o sistema precisa responder rápido.


A proposta do armazenamento no Luz del Norte, conforme descrito, é otimizar a operação da usina fotovoltaica: reduzir perdas durante o dia e permitir a venda/uso da energia também à noite. 


Projeto na Argentina: BESS Alma Sur, em Buenos Aires


Na Argentina, o contrato foi firmado para o desenvolvimento do BESS Alma Sur, com a Central Dock Sud S.A., controlada e operada pela YPF Luz. 

Especificações informadas para o projeto:

  • Potência nominal: 90 MW
  • Capacidade de armazenamento: 481 MWh
  • Estrutura: 96 contêineres de baterias  

O “ponto sensível” que o projeto tenta atacar

A Trina Storage descreve que a solução será estratégica para lidar com desafios de suficiência energética sazonal na província de Buenos Aires, reforçando a confiabilidade do sistema elétrico local. 


Em termos práticos, sistemas BESS desse porte costumam ser usados para:


  • segurar energia para horários críticos;
  • reduzir estresse em linhas e subestações nos picos;
  • responder rapidamente a variações de demanda e geração.


Por trás do “boom” das baterias: a lógica do mercado (sem enrolação)

O armazenamento cresce porque resolve, ao mesmo tempo, três dores que ficaram mais evidentes com a expansão das renováveis:

1) “Energia barata demais” em horários de excesso


Quando a solar entrega muito durante o dia, o preço pode despencar — e, em alguns casos, ocorre congestionamento de rede.

2) “Energia cara” quando a demanda aperta (principalmente no início da noite)

É o horário em que o consumo sobe e a solar cai. Bateria entra como ferramenta de arbitragem energética (carrega quando sobra, entrega quando vale mais).

3) Estabilidade e confiabilidade

BESS pode atuar ajudando a suavizar oscilações e manter o sistema mais previsível.


Esse contexto regional também aparece em análises sobre a evolução do armazenamento na América Latina, indicando uma trajetória de rápida expansão de capacidade e projetos em desenvolvimento. 

O que esse anúncio sinaliza para 2026 (e por que o Brasil deve prestar atenção)


Mesmo com os contratos sendo no Chile e na Argentina, o recado é direto: a América Latina está migrando de “renovável pura” para “renovável + bateria”.


Isso tende a influenciar:


  • modelos de contratação (PPAs já considerando blocos de energia firmados com bateria);
  • projetos híbridos (solar + BESS como padrão em certas regiões);
  • cadeia de suprimentos (engenharia, logística e comissionamento em escala).


E, quando grandes fornecedores anunciam volumes robustos, o mercado costuma interpretar como: pipeline real, execução viável e competição aumentando.

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